21 de jun de 2010 2 comentários

Maturidade

Depois de um bom tempo sem inspiração, eis que o Arcanjo novamente decidiu dedicar algum tempo a adicionar algumas linhas ao seu diario. Indeciso sobre o que escrever acabou perdendo o timing dos ultimos acontecimentos, mas sentia que não conseguiria encontrar inspiração pra demonstrar em palavras a intensidade daquilo que estava sentindo. Realmente, Anderson não havia sumido como prometido. No domingo seguinte ao sabado em que seu encontro de luxuria, o jovem Arcanjo decidiu nao fazer o joguinho de esperar a ligação do dia seguinte e decidiu que ligaria praquele rapaz que se aventurou a encontrá-lo altas horas da madrugada. Anderson ainda estava cansado, e iria ligar de volta para confirmar se iriam mesmo ao cinema. O domingo passou-se e nada do retorno da ligação. "Dessa vez nao vou ligar mesmo... queria mesmo só sexo mesmo, então foda-se... pelo menos não precisei pagar o motel."
Na segunda feira depois de um dificil dia de trabalho, naquele ônibus lotado eis que seu telefone toca. "Deve ser a minha mãe. É, vou mesmo pra casa esse final de semana." E no visor piscava o nome Anderson: "Tentei te ligar no domingo, mas acho que tava sem bateria..."
"Desculpa, deve ter sido o sinal... lá em casa é horrivel"
"Sem problemas... já que não deu pra gente ir no cinema, vamos combinar alguma coisa pro sabado"
"Acho ótimo... posso te ligar lá pela meia noite? Sei q vc vai estar na aula, e eu to no ônibus... Lá conversamos mais a vontade"
"Sem problemas... Beijão então gostoso!"

Se falaram novamente durante a semana inteira e no sabado se encontraram novamente (algumas horas mais tarde do que o esperado e decidido durante a semana). Foram a um barzinho que sempre passou em frente, mas q pela primeira vez estava sentado em uma mesa conversando com alguem: Café com Letras. "Arcanjo, lembra que me disse que era concursado e eu te disse que também era?" "Lembro sim." "Bom, acho que agora que estamos nos conhecendo mesmo, de verdade, preciso te dizer uma coisa..." Fez uma pausa estratégica, tirou sua carteira e enquanto procurava por algo que o Arcanjo não sabia o que era, imaginou que tudo que ele teria lhe dito era falso. Tirou um cartão de visitas e lhe entregou: "Então, como a gente ta se conhecendo, queria te dizer que apesar de não trabalharmos exatamente no mesmo local, somos colegas." A surpresa do Arcanjo foi ainda maior, e por uns instantes ficou sem ação... Lindo, charmoso, gostoso, bom de cama, e colega? Deu uma golada generosa em sua cerveja, e pediu uma nova a garçonete.
E conversaram sobre o cotidiano, o dia a dia no trabalho, e como nao poderia deixar de ser: de relacionamentos. "Uma coisa que sempre me frustra muito Arcanjo, é que sempre que tento alguma forma de relacionamento, as vezes mal chega a começar por causa de tempo. Você sabe como é a correria no nosso trampo. E ainda to estudando de noite." "Sei como é Anderson. Foi difícil pra mim com meu primeiro namorado. Mas por outro lado me sinto orgulhoso q mudei a vida do Breno. Já meu segundo namorado... se acha muito maduro, mas é extremamente infantil, e de pensamento muito pequeno. Mas chega de falarmos sobre isso. Acho que nós dois estamos um pouco machucados com isso, não é?" E por baixo da mesa, uma perna encostando carinhosamente na sua "É sim Arcanjo." Conversaram mais algum tempo e o bar ja iria servir a saideira, pois iria fechar. "Será que posso dormir contigo hoje, Anderson?" e o rapaz disse que mesmo cansado poderia sim. "Mas DORMIR viu!" e deu uma risada e um sorriso.
E quem disse que o desejo permitiu que dormissem?
Mais um semana se passou, um novo encontro pra um almoço, dessa vez com uma amiga dele.
Na semana seguinte, desistiu de visitar seus pais pra encontrar com Anderson, e iria pra sua casa no feriado. E no sabado, ligou pra ele pra decidirem onde iriam se encontrar e qual seria o programa praquela noite. "Hoje não to me sentindo muito bem pra sair não, Arcanjo. Acho que precisamos ter uma conversa de adultos." "Por mim eu preferia que conversassemos de uma vez, mas se acha melhor assim... Nos vemos amanhã, ok? Beijão". Sabia exatamente que a conversa de adultos teria apenas dois desfechos: ou uma proposta de namoro sério ou um novo pé na bunda. Desejava que a alternativa escolhida fosse a primeira, mas se fosse essa nao seria necessário esperar o dia seguinte. "Talvez ele deva estar precosando de um tempo pra fazer o pedido, né? Em todo caso melhor me preparar pra alternativa 2. Melhor ir esperando o pior e ser surpreendido do que esperando o melhor e voltar frustrado."
No domingo, meio dia ligou novamente, e nenhuma resposta... Uma da tarde: novamente sem sucesso.
"Conversa de adultos... Muito adulto da parte dele simplesmente me ignorar assim. Sabia que não seria coisa boa!" E engolido num acesso de raiva decidiu que passaria o resto do domingo na companhia de seu Xbox. "Com a raiva que estou deveria jogar algum jogo de tiro, mas hoje eu termino esse Final Fantasy 13".
E como prometeu a si mesmo, terminou esse jogo. E após terminada a batalha com o ultimo chefe, no inicio das animações da final, o alerta do MSN o chama. Sim, era o Anderson.
"Filho da mãe! Agora vai esperar! Só falo contigo depois que aparecer o 'The End'".
E assim foi, assistiu ao final daquela obra prima em forma de jogo, pra então assim poder conversar com ele.
"Pensei que fossemos ter uma conversa de adultos..." respondeu secamente no msn.
"Desculpa Arcanjo, não deu pra falar contigo na parte da tarde. Estava almoçando na casa de uns amigos."
"Tudo bem, não vem ao caso... Acho que tem algo a me dizer, não é? Podemos ir direto ao assunto?"
"Como ja havia lhe dito aquele dia no café com letras, você sabe que tenho um dia muito corrido. Você sabe como é nosso trampo, e a noite ainda tenho de terminar a faculdade."
"Traduzindo: apesar do q ta rolando entre a gente vc nao ta mais afim..." respondeu ainda secamente o Arcanjo.
"O que eu sinto é que vc ta precisando de alguém que eu não sou.... alguem que se dedique a uma relaçao..."
"Anderson como vc foi sincero comigo vou ser sincero contigo agora também: o modo como a gente se conheceu foi extremamente inusitado... pensei q vc tivesse apenas afim de sexo ate q vc ligou naquela segunda feira, e nesse tempo que a gente saiu, me senti bem... E pelo que pude perceber vc tb tava se sentindo bem com a minha companhia... Depois q terminei meu ultimo namoro, resolvi que iria deixar que na minha vida as coisas acontecessem naturalmente e até entendo essa correria de trampo e faculdade... Tentei nao criar expectativas, não te obriguei a nada... nem exigi atenção... só q eu acabei comecando a gostar de estar com vc..."
"Eu preciso resolver muitas coisas na minha cabeça antes de arriscar um relacionamento, com qualquer que seja. A correria apenas me deixa ainda sem mais tempo de me entregar aos sentimentos, que as vezes penso que é melhor nao te-los."
"Quem sabe uma hora as coisas se ajeitem e nossos caminhos ainda se cruzem novamente, Anderson?"
"Acho que voce é muito especial Arcanjo, um cara bacana, e precisa de alguem que esteja realmente disposto a viver tudo isso contigo."
"De qualquer forma Anderson, não vou fazer como a maioria das pessoas fazem... não vou te excluir nem bloquear nem nada. Não quero perder contato contigo."
"Não não... não faça isso! Eu tbem nao quero... Não há motivos Arcanjo!"
"Não mesmo... afinal... a gente tava se conhecendo mesmo... Bom qualquer coisa eu vou estar aqui. Ainda tem meu telefone e pra me localizar no sistema corporativo é facil."

E com um misto de raiva e satisfação, se sentiu orgulhoso pela atitude teve. Imaginava que sua reação fosse compleramente diferente, que fosse xingar, lamentar ou até mesmo engolir o orgulho e pedir pra que não fosse assim. Mas percebendo que nem tudo seria como ele quer, sentiu orgulho da maturidade que percebeu estar adquirindo. Sentiu-se superior, respeitando a vontade dele, deixando o caminho aberto, mas no fundo cutucando os sentimentos daquele rapaz que acabara de dispensá-lo.
No entanto junto com a maturidade, reergueu suas barreiras sentimentais, e percebeu que seu o lado humano despertava, e com seu lado humano, o Arcanjo percebeu que seu lado humano, não era assim tão humano. E que não iria mais permitir que brincassem com seus sentimentos.
 
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