26 de jul de 2009 8 comentários

Anjos caidos

Belo Horizonte, 22:00 de um sabado a noite. Depois de uma temporada de alguns apertos, sem acessar direito a internet, sem grana, finalmente esse seria o final de semana mais tranquilo da estadia do jovem Arcanjo na capital. Na semana anterior matou a saudade dos pais e dos amigos, trouxe seu notebook recém comprado e estava livre das privações e inconvenientes da lan house que estava indo nesse meio tempo. Um final de semana que tinha tudo pra dar certo, mas o Arcanjo estava aborrecido com mais uma oportunidade perdida de encontrar com Saulo. Na parte da tarde, Lucas, um colega de trabalho que por sinal é da mesma cidade do Arcanjo, o chamou pra passar uns seriados e uns animes como haviam combinado na semana anterior. Resolveram ir tomar umas cervejas pra passar o tempo. E o tempo passou rápido de mais devido ao alto nivel da conversa.
Quando pegou suas coisas na casa do Lucas, Arcanjo resolveu ligar pro Saulo e resolver se iriam realmente sair. E pra sua decepção, o Saulo disse que já estava deitado vendo um filme, e que não estava muito animado pra sair. Conversaram por mais alguns minutos, e pra aumentar ainda mais sua decepção Saulo informou ao Arcanjo que estaria "fora do ar" por uns 15 dias mais ou menos por causa do mestrado, e passaria o aniversário com a familia no Rio de Janeiro, sua cidade.
Desligou o telefone, acendeu um cigarro e sem muita paciencia aguardava seu ônibus.
Chegou no seu quarto, tomou um banho entrou no msn, e ao conversar com um de seus amigos virtuais, decidiu que apesar de terem alguns clientes preferenciais, a fila tem de andar... Convenceram Arcanjo a sair, e resolveu conhecer a tão falada Josefine...
Se vestiu, saiu de casa e resolveu ir a pé mesmo até lá. Não era tão longe assim.... uns 20 minutos em média de caminhada. A principio o ambiente não pareceu impressionar muito. Um dos ambientes fechados reduzia o espaço e o Arcanjo ja estava pensando: "Já vi que vir pra cá parece não ter sido uma ideia tão boa..." estava se perguntando se ele realmente deveria estar lá... Chegou ao balcão, e ainda sob o efeito das cervejas que tomara com Lucas na parte da tarde, e pediu: "Uma tequila, por favor!"
O outro ambiente abre, e começam as atrações da noite. Algumas trocas de olhares, mas sem muitas esperanças, Arcanjo retornava até o balcão pra beber mais alguma coisa, quando esbarra em um descamisado exibindo um corpo muito bem trabalhado. E pra sua surpresa o moreno lhe cumprimenta. Depois das perguntas iniciais, o moreno pede que o Arcanjo lhe pagasse uma cerveja... "Por que não?" pensou...
Algumas investidas sem sucesso o moreno diz que não era gay, mas q não tinha problema nenhum... e acabou revelando ser um garoto de programa. "Sabia que isso tava fácil demais... Até parece que um gostoso desses iria me dar bola..."
Mais algumas voltas e novamente o miche trombou no banheiro com o Arcanjo, mas apesar da noite não estar rendendo, ainda não precisaria recorrer a esse recurso (ainda mais que não estava contando com o recurso financeiro pra contratar esses serviços) acabou conseguindo despachar o moreno e seu corpo malhado.
Ao sair do banheiro, uma passada de mão em sua bunda. Ao virar pra ver quem era o engraçadinho, ficou por alguns milésimos de segundos sem ação. Um rapaz loiro cabelos cacheados, barba por fazer, olhos claros que por um instante se perguntou se eram safiras ou esmeraldas. Contrastando com seu rosto angelical, um sorriso malicioso, e um olhar sedutor que levaram o folego do Arcanjo pra 500 universos de distância. "Tudo bem contigo?" perguntou o rapaz ao Arcanjo. "Oi tudo sim, qual seu nome?" "Rafael e o seu?" Se apresentaram e a conversa seguia seu rumo.
Mas as investidas do Arcanjo eram esquivadas por Rafael. Já quase desistindo, Rafael pegou a mão do Arcanjo e seguiram até o banheiro. Nas paredes os flyer de uma outra festa "Hell or Heaven". "O que quer dizer isso no flyer?" perguntou Rafael ao Arcanjo. "Inferno ou céu... Pra onde você iria?" E o jovem com nome de anjo colocou o dedo em cima da palavra Hell. Uma das cabines se abriu, e o anjo caido chamou o Arcanjo pra dentro com ele. "Safado!" exclamou Rafael olhando nos olhos do Arcanjo, e encontrou seus lábios com os dele. Um beijo intenso, com sabor de luxúria... Dois anjos caidos entregues aos prazeres da carne.
Ao sairem do banheiro, Rafael continuou de certa forma evasivo. Ainda evitava as novas investidas do Arcanjo, mas ainda assim instigava com seu olhar e com o sorriso convidativo, e pra instigar ainda mais, tirou a camisa e mostrou um peitoral lindo, definido sem exageros. Uma nova ida ao banheiro, e no meio dos beijos, Rafael interrompe o beijo: "Cara é o seguinte, eu tenho namorado, tem algum problema?" "Problema algum..." respondeu o Arcanjo. Pensou consigo mesmo enquanto novamente sentia as linguas se procurando: "Depois eu que sou o safado... eu vim pra poder me divertir, pra salvar meu final de semana. Não vou ser eu quem vou ter de dar satisfações a ninguém nem vou ter peso na conciencia de ter feito nada errado... Ningém mandou passar a mão na minha bunda..."
E continuou se o jogo de gato e rato ao sairem novamente do banheiro. Após a quarta ida o jogo ja havia acabado e os beijos ja eram feitos na própria pista de dança.
Ao sairem da boate Rafael pergunta ao Arcanjo: "Pra onde vamos agora?" Uma breve pausa, e o Arcanjo decidiu arriscar levar o rapaz até seu quarto e pegaram um taxi.
Após passar o endereço, Rafael colocou sua perna sobre o colo do Arcanjo, que já estava com o braço envolto em seu pescoço.
"Veste essa camisa... daqui a pouco você pode tirar ela de novo, e mais o que você quiser..."
No elevador Rafael olhava com seu olhar de desafio repetiu: "Safado!". "Há Se não tivesse camera nesse elevador... " pensou o Arcanjo...
Entraram, e as roupas foram jogadas em um canto qualquer do quarto do Arcanjo. Os beijos mais intensos, as mãos percorrendo o corpo alheio. A boca do Arcanjo foi descendo pelo pescoço, percorrendo os mamilos até mais em baixo... Contudo mesmo com o Arcanjo fazendo o melhor de si, Rafael não conseguia empunhar sua arma. Ao perceber isso Arcanjo sobe todo o trajeto de volta até sua boca, encontrou novamente com os lábios do anjo caido que lhe falou no ouvido: "Porque que tinha de acontecer logo agora?", e em resposta sussurou no ouvido de Rafael: "Relaxa, isso acontece... mas podemos nos divertir de outras formas..."
E continuaram com a brincadeira... Trocaram de posição e Rafael se deitou como frango assado e com seus pés bricava com o peito do Arcanjo, que brincava com seu membro nas nadegas de Rafael. Mas não houve penetração... Terminando a brincadeira Rafael disse que precisava ir embora. Se vestiram, e o Arcanjo o levou de volta até o corredor onde rolou mais um longo beijo de despedida enquanto o dia ja havia amanhecido. "Se cuida cara!" "Você também..."
Enquanto voltava pra cama atordoado pelo final de semana completamente inusitado, tinha uma certeza: tinha encontrado a definição perfeita pra Anjo caido...
5 de jul de 2009 9 comentários

Bem vindo a BH

Era domingo. O final de semana na minha cidade ficou resumido a encontrar um lugar onde pudesse ficar. Acabei ficando em um hotel que um tio disse que era barato. Desci do taxi... Quando entrei no quarto, pensei em desistir no mesmo instante. Voltar pra minha cama, coberto com o meu edredon, e não com aquele cobertor. Só de olhar pra ele ja sentia que minha alergia ia atacar. Mas pensei: "Vai desistir agora mesmo? Quanta gente ficaria decepcionada contigo, Arcanjo! Lute, você sabe que você é um guerreiro!"

Segunda cheguei ao meu novo ambiente de trabalho, e pouco depois de chegar, um colega chegou informando que a agência havia cumprido suas metas. Me senti animado a continuar minha luta.

O trabalho foi de um certo modo tranquilo, apesar das várias dúvidas. "Logo eu pego o jeito..."

E a semana seguiu normal... tentei ver com meus colegas de trabalho se eles sabiam de alguma vaga em república ou coisa do tipo. Nenhum avanço até quarta feira.



Minha mãe me passou um numero de um conhecido do meu tio, que alugava quartos. Procurei esse cara, mas ele estava sem quartos, mas me indicou uma senhora no mesmo prédio que também alugava quartos.

Combinei com dona Verônica que iria dar uma resposta no dia seguinte. Na quinta tentei entrar em contato com ela, mas não consegui. E na sexta pedi pra meus pais tentarem falar com ela, pois iria ficar lá mesmo. Sexta feira o movimento aumentou, estava estressado, e meu celular tocou: minha mãe. Me enchi de esperança, mas ela me informou que ela tinha alugado pra um cara que ja foi inquilino dela antes.



Estava tão frustrado por ter dado tudo errado. Resolvi ir ao shopping pra voltar a minha busca pelo meu lugar pra ficar. Puxei conversa com o Saulo, e ele percebeu meu péssimo humor e me perguntou o que acontecia. Expliquei a minha situação, e como estava com raiva de ter dado tudo errado. Ele se ofereceu pra ir comigo até a UFMG pra que pudessemos procurar vagas em república. Fiquei meio receoso, mas o que eu tinha a perder? Me desconectei, e ja encontrei o ônibus no ponto e segui. Liguei pro Saulo, e disse que ja estava a caminho, e que se ainda não estivesse lá pediu que eu esperasse por ele.



Desci no ponto onde o cobrador me indicou, e ele ainda não havia chegado... Acendi meu cigarro e assim que terminei, ele apareceu... Era ainda mais interessante pessoalmente do que por fotos. Seus 1,90m me chamaram a atenção, principalmente pois sua cabeça encostava no teto do carro. Tinha um sorriso interessante, e um charme inegável...



Chegamos na UFMG com aquela conversa típica de quem está se conhecendo... até ai nada de mais... Pegamos alguns contatos e pedi que me mostrasse onde ficava um banheiro. Entrei, fiz minhas necessidades, e assim que sai da cabine ele estava do lado de fora me esperando. Mal terminei de me arrumar, pude sentir seus lábios de encontro aos meus. Saimos, e procuramos mais alguns anuncios. Quando tinhamos uma quantia boa, fomos até um canto onde alguns estudantes estavam bebendo, e uma banda tocava. Compramos uma cerveja e continuamos a conversar. Dessa vez eu encostei a minha perna na dele, e ele sorriu. Conversamos sobre nossas vidas, eu sobre o tempo q estava com o Breno, e ele dos dois namoros: um de 6 anos e outro de 1. Fomos dar mais uma volta e em outro lado havia uma festa junina, mas estava mais desanimado. Estava tocando Xote das Meninas, e brincamos com o trecho " Ela só quer, só pensa em namorar"... Voltamos pros lados da banda, mas antes fomos a um lugar mais tranquilo, onde nos beijamos novamente, mas percebemos uns estudantes indo fumar maconha, então resolvemos sair.

Terminamos nossas cervejas, e ja passava da meia noite. Perguntei se ainda tinha ônibus e se era seguro ele me disse que não achava uma boa ideia, e perguntou se queria dormir na casa dele. Relutei, pois não sabia se iria causar algum problema, mas o Saulo me disse que o cara com quem dividia quarto também era gay, então era tranquilo.


Aceitei a proposta e fomos pro carro dele, e antes mesmo de sairmos da UFMG ele parou o carro e nos beijamos de novo. Saimos, eu com as mãos na perna dele, e ele com as dele na minha perna. Chegamos, e os amassos cada vez mais intensos... aquela barba por fazer roçando minha pele... as roupas jogadas em um canto do quarto... as mãos de um explorando cada parte do corpo do outro... Saulo interrompe brevemente o momento de desejo carnal pra pegar um preservativo, e um tubo de gel. "Será que eu aguento tudo isso?" ele me perguntou. "Prometo que vou com calma" prometi sem intenção de quebrar a promessa. E então ele me deitou, e foi sentando por cima de mim. Pude sentir cada centimetro meu invadindo aquele homem imenso. Como era bom! Sentia prazer e satisfação por saciar a minha curiosidade de encontrar com um homem mais alto que eu. Ele anunciou o gozo, mas ainda estava longe de me satisfazer. Terminei atendendo ao pedido dele pra que gozasse em seu peito. Em um beijo atendi seu pedido. Depois que nos lavamos, fomos dormir. Ficamos deitados abraçados, e naquele abraço senti uma cumplicidade da parte dele, e me entreguei... Me senti seguro e o fiz sentir segurança enquanto faziamos carinhos um no outro até que o sono chegasse. Mas no meio da noite não me aguentei, e enquanto ele dormia, acariciava seu membro. Me excitava ouvir aqueles gemidos de prazer misturados com sono. Acabamos nos amassando e nos masturbamos juntos. E após gozamos quase que juntos dessa vez, continuamos nosso sono naquele abraço de entrega.

Acordamos ainda abraçados, e enquanto ele preparava um café da manhã o abracei e dei um beijo em seu pescoço. Comemos, e ele me deixou no ponto, me dei um longo beijo e me disse: "Bem vindo a BH!"

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De forma resumida assim foi minha primeira semana de trabalho. Depois que voltei pro hotel tomei meu banho dona Verônica me ligou e disse que tinha outra pessoa que também alugava quartos lá no prédio. Segui ligando pras repúblicas, umas eram um pouco longe outras ja tinham preenchido as vagas, e acabei alugando o quarto mesmo do Sr Pedro, o indicado pela dona Verônica. Por enquanto to num aperto financeiro, mas espero que isso se resolva logo... Daqui a pouco me acostumo com a vida aqui na capital...
Por enquanto por aqui me despeço. Semana que vem vou novamente pra casa, e devo trazer meu computador, e estarei com internet novamente.
Beijos a todos, amigos! E mais uma vez desculpem a ausência por esses dias...
 
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