12 de jul de 2010

Muralhas

Mais um final de semana que o jovem Arcanjo decidiu retornar pra sua cidade. Aproveitou da carona de um colega de trabalho, rachou a gasolina e foram. Muito melhor do que ir de ônibus... além de ficar mais barato, ainda tinha companhia pra conversar, sem contar que não teria encheção de saco do passageiro desconhecido da poltrona do lado.

Entre um assunto e outro lembrava do que havia acontecido nas ultimas semanas, e que acabou deixando de relatar, talvez por falta de inspiração, ou talvez pela falta de retorno que seu diário tinha antigamente.

Nesses finais de semana depois da conversa com Anderson, percebeu que seu lado humano (e seu lado negro) estavam totalmente aflorados. Cansou de ser bonzinho, e não iria permitir que ferissem ainda mais seu coração, e envolveu-se em uma barreira emocional, tornando-se de certa forma frio e egoista. Iria dançar a mesma musica, e jogaria com as mesmas regras: nada de envolvimento, satisfaça apenas a si mesmo. Marcou um encontro, e conheceu duas pessoas na balada, e com o primeiro bloqueou do msn. O segundo inventou um número de telefone. E com o terceiro, sequer passou seu número.

Chegaram muito mais cedo do que se tivesse ido de ônibus, e até teria tempo pra sair com seus amigos. No entanto decidiu descansar, e ficar ao lado de sua familia. Se divertiram no início da noite na casa do Cássio (que depois de uns tempos sumido, resolveu sair da toca). Beberam até umas onze da noite, e depois seguiram pra um clube em sua cidade, onde haveria um show de uma banda cover do Pink Floid. Enrolaram por um tempo e quando o show começou, o deslocado Arcanjo se perguntava: "O que é que eu to fazendo aqui?!?! Só tá tocando as musicas que eu não conheço... E o pior, as mais depressivas."
Não podia negar, a banda era muito boa, mas se não fosse por estar com seus amigos, que havia tempos que não se reuniam, estaria dormindo.
Perambulando pelo salão do clube, comprou uma dose de vodka pensando que talvez o alcool pudesse tornar o show mais interessante. Ficou impressionado com a quantidade de caras interessantes nesse ano em que deixou sua cidade. "Putz, como melhorou o nivel por aqui heim... Mas de que adianta? Todos heteros..."
Reencontrou com sua galera, e quando a banda começou a tocar "Another Brick in the Wall" começou a pular como um doido junto com a massa. Tomando o máximo de cuidado pra não atingir a Lê (a futura mamãe da galera) finalmente estava começando a curtir o show. Logo em seguida a banda agradeceu a presença de todos e iniciou uma nova musica: "So, so you think you can tell, Heaven from Hell? Blue skyes from pain..."

O Arcanjo pegou seu isqueiro, e acendeu que foi a deixa pra que mais alguns outros isqueiros também fossem acesos. "Sim eu sei a diferença entre o céu e o inferno. Já estive nesses dois lugares..." e em sua cabeça pensava no que aconteceu na quarta feira antes da viagem.
Lembrou do que tinha conversado com Jonas, e ainda não conseguia acreditar que ele pudesse se sentir atraido pelo Arcanjo. E enquanto a tocava a musica, seu desejo era estar ao lado dele. Agitava sei isqueiro e quando a musica chegou no refrão pensava "Como eu queria que você estivesse aqui... É arcanjo, construiste ao redor de seu coração uma fortaleza, no entanto ela não e assim tão intransponivel"

7 comentários:

Ausência Instável disse...

Oieee,
Sumidão tbm heimm!!

To de volta ..
Obrigado pela visita!!!


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Bjão!

glass disse...

oi , cuidado esse novo jogo pode machucar muito mais ,bjs .

S.A.M disse...

Gostei de ler tuas aventuras, nossas fortalezas podem ser rígidas mas sempre terão uma data de validade.

Aproveite!

Abraço!

Hóspede Póstumo disse...

Este teu amigo Jonas sabe do que fala!


[;)]


Um grande abraço.

Joks disse...

Parece que esse seu amigo Jonas sabe bem o que fala.
Mas é isso mesmo o que acontece, sofremos, ficamos de coração partido e por fim acabamos criando uma barreira ao redor de nosso corações e com o tempo parece que ficamos "vacinados, criamos anti-corpos" para combater esse tipo de afeto e o medo de se machucar.

Anônimo disse...

ler todo o blog, muito bom

Amadeo disse...

Essas barreiras são necessárias por um tempo, pois nos ajudam a re-erguemos e seguirmos em frente. Quando o trabalho do tempo esta bem feito, elas são implodidas.

O medo de se machucar pode ate continuar, mas faz parte, que atire a primeira pedra quem não é humano?!

Vejo que a sua ta começando a desmoronar. Boa sorte ai, abraços, até mais!

 
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